segunda-feira, 10 de agosto de 2009

paris. parte 1.

Deitado na minha cama, terminei de ler, pela terceira vez, o livro "Blecaute", de Marcelo Rubens Paiva. Como todas as vezes que eu acabei com as últimas palavras dessa obra, me senti sozinho no mundo. Achando que todo mundo havia parado, como estátua e eu era o único ser respirando. Decidi levantar da cama. Era um sábado de agosto e depois de acordar do transe de finalizar a leitura de um livro, agradeci a mim mesmo que era um dia de folga do trabalho.

Já de pé, saindo do meio beliche que eu durmo quase todas as noites, me encostei na janela para olhar o horizonte de edifícios. O sol das três da tarde fazia um reflexo na estátua dourada do pequeno anjo no monumento da Bastilha e logo atrás, a magnitude da Torre Eiffel. Sim, é Paris na minha frente. Que bonita! Muitas vezes me peguei não acreditando estar aqui.
O silêncio reinava em toda a cidade. Nada mais natural. Mês de férias, verão, bom tempo. E eu preso em casa, preso pela preguiça de sair, de não ter com quem falar.

Fui até o armário, todo bagunçado, assim como o quarto. Tenho que lavar roupa, pensei. Busquei qualquer camiseta que estivesse por ali e tirei uma com o triângulo da bandeira do Estado de Minas Gerais. "Libertas Quae Sera Tamen". Mesmo que seja tarde, preciso sair daqui.
Descendo as escadas, me lembrei que não havia trancado a porta. Nenhum dos meus vizinhos estava em casa, mas mesmo assim me deu uma paranóia e tive que voltar os três lances. Oito andares depois, cheguei à rua.

E como sempre, nada de diferente. Tudo parado.



(continua...)

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