domingo, 18 de abril de 2010

veja.

(Texto originalmente postado no blog Diário de Bordo)

Capa de 24 de fevereiro anunciando a candidatura de Dilma Rousseff:



Em preto-e-branco, triste, enquanto Dilma olha para o lado com expressão séria, quase calculista. Referência aos "radicais do PT", alusões à sua ideologia (e contraste ao pragmatismo necessário para governar um país) e, claro, referência a um mundo "em crise".
Agora vejamos a capa de 21 de abril anunciando a candidatura de Serra:



O candidato olha diretamente nos olhos do (e)leitor em uma capa viva, colorida, enquanto procura sorrir abertamente. O texto faz alusão à sua vitória ("Brasil pós-Lula") e traz uma única chamada com a garantia (feita pelo próprio Serra) de que se preparou a vida inteira para ser presidente.

I rest my case.

Escrito por Pablo Villaça às 01:08 AM.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

por um cinema jovem.

(Texto originalmente publicado no blog Ilustrada no Cinema)

O público jovem/adolescente foi essencial para a guinada que o cinema teve nos anos 1970. Filmes como “Tubarão” (1975) e “Star Wars” (1977) formataram aquele que é o padrão até hoje. A obra que está sendo projetada na tela é apenas parte de um esquema maior, de uma indústria. Gostou do filme? Então compre os derivados _o bonequinho, o brinquedo, o caderno etc._, e vá não apenas uma, mas duas, três vezes ao cinema, para rever o filme. E assim nasceu o blockbuster. Se foi bom negócio ou não, a história é outra.

Aqui no Brasil, a lógica funcionou de forma parecida, mas obviamente em outra escala e em outro contexto _pornochanchadas, Trapalhões e “Dona Flor e Seus Dois Maridos” foram os nossos blockbusters.

A visão de produtos/franquias para jovens guiou, por exemplo, o cinema com os nomes centrais da jovem guarda, nos anos 60. Mais tarde, filmes como “Menino do Rio” (1982), de Antônio Calmon, já estavam em sintonia com o boom do rock brasileiro, como bem notou o jornalista Ricardo Alexandre no livro “Dias de Luta: o Rock e o Brasil dos Anos 80”. Eram os tempos do primeiro Rock in Rio, de “Bete Balanço” (1984), enfim, um momento em que a juventude teve voz _e se mostrou um voraz público consumidor.

Com belas exceções aqui e ali (Glauber e Sganzerla começaram bem novos), no entanto, um cinema jovem e levado adiante por jovens, não chegou a se consolidar por aqui _e não me refiro apenas a filmes que retratam adolescentes, mas sim obras vibrantes, com um olhar não viciado, disposto a errar, disposto a ousadias.

Por isso, “Os Famosos e os Duendes da Morte”, de Esmir Filho, deve ser visto com toda a atenção. É até covardia que tenha estreado no mesmo final de semana que “Chico Xavier” _fui ver “Os Famosos...” na sessão da meia-noite do último sábado no Reserva Cultural e tinha meia dúzia de gatos pingados por ali.

Esmir nos mostra uma parte do Brasil que o Brasil raramente vê nas telas. É uma história que acontece no Sul do país, mas poderia ser num vilarejo da Suécia, Dinamarca, Alemanha. Por que tão poucos retratos dessa parcela de realidade? Talvez justamente porque não é uma história com elementos “locais” que os estrangeiros esperam do Brasil. Produtores e roteiristas parecem pensar “pra que vender geladeira pra um esquimó?”.

“Os Famosos...” mostra com precisão uma parcela específica da juventude brasileira. Mesmo isolados geograficamente, os personagens conhecem o que acontece ao redor do mundo. Para nós, isso é mais visível na música pop. Me lembrei na hora dos rapazes da banda Vanguart, de Cuiabá (MT). Ou da Mallu Magalhães, aqui de SP. Um pessoal novo, mas com influências fortes de Bob Dylan, com conhecimento já enciclopédico de música popular.

No dia seguinte à sessão do filme, fui ao parque Ibirapuera, no MAM, ver o último dia da exposição sobre o Gordon Matta-Clark. Estava chovendo forte, e uma multidão de adolescentes entediados estava espremida embaixo da marquise. Numa rodinha, uma garota coloca no chão seu celular para mostrar um vídeo _de algo comprometedor ou engraçado sobre alguém, a julgar pelo interesse de todas elas. É uma realidade que “Os Famosos e os Duendes da Morte” soube captar tão exemplarmente.

Escrito por Bruno Yutaka Saito às 11h03 PM

sexta-feira, 9 de abril de 2010

bomba.

Lembra que eu fiquei indignado que a capa do DVD do filme "Planeta dos Macacos" revelava o final do filme? Pois, assisti a "Fúria de Titãs" ("Clash of the Titans") e como se não bastasse ser o pior do ano (fotografia de atração de parque de diversões, atuações que beiram o ridículo, efeitos visuais de videogame, design de produção vindo diretamente de um episódio de Power Rangers, enfim...), o cartaz de cinema revela o fim dessa bomba. Já mostro aqui para aconselhar os desavisados a nem perder tempo e dinheiro indo ao cinema.

quinta-feira, 25 de março de 2010

publicidade.

Apesar de ser uma peça publicitária, quero lembrar a todos que fazem seu ganha-pão em propaganda que a parte artística deste projeto foi feito por profissionais do cinema (que sim, é uma arte).

Apresentando um curta/propaganda que a marca Philips fez para divulgar uma nova televisão com o tamanho proporcional ao da tela de cinema (2:19), a Stink Digital faz um belíssimo trabalho de pós-produção rico em detalhes e muito bem feito, dirigido pelo Adam Berg, que ganhou o prêmio de comercial do ano em Cannes.

Sem mais, eis o video:

terça-feira, 23 de março de 2010

amigos.

GTalk, 23 de março, para Laura.

eu: tô com muita aflição... de repente, me dei conta que preciso ver tantos amigos. sabe uma sensação de saudades? não sei, não sei explicar... tipo, faz anos que eu não vejo a tati, o flavio, a carol, e a estrela chegando, tantos outros... e não tenho tempo pra fazer nada. ai, que aflição. não sei explicar.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

crítico.

Criei um outro blog. Mesmo sabendo que este poderia ficar com ciúmes... deixo para o "pé no velho" só meus relatos pessoais do que eu tiver vontade de falar.

O "critiquento" se torna um blog para minha persona chata, que não consegue mais ver nada nesse mundo sem seu olho crítico.

Vos apresento: http://critiquento.blogspot.com

Merci.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

estrelas.

Acho que eu nunca expressei aqui o quanto eu gosto da franquia "Star Wars" e como ela é importante para a história (minha e) do cinema, como blockbuster, a revolução dos efeitos visuais e da utilização do filme como veículo para contar uma história que existe não só na tela. E podem acreditar, todos os defensores da maior arrecadação de todos os tempos que atende pelo nome de "Avatar", se não fosse pela saga de George Lucas, os gigantes azuis do planeta Pandora nem existiriam.

Lembro de assistir ao três primeiros episódios quando ainda era adolescente, antes mesmo do número 1 (ou "A Ameaça Fantasma") estreiar. E quando este já estava nas salas, 4 vezes eu fui. Naquela época, eu lia críticas e não entendia porque as pessoas achavam o filme tão ruim. Hoje, eu vejo grandes problemas de roteiro, um personagem que ficou marcado como o mais chato de todos, um vilão fraco e um atorzinho que interpreta Anakin Skywalker quando criança muito mal. Mas mesmo assim, a magia está ali. E pudemos conhecer planetas tão lindos e deslumbrantes vindos direto da imaginação do Sr. Lucas, como Coruscant e Naboo.

O segundo episódio ("Ataque dos Clones") veio e não me lembro se esperava ansiosamente. Acredito que não, pelo fato de não estar na minha memória. Um longa mediano, apresentando o já um pouco mais velho Obi Wan de Ewan McGregor, com um mullet horrendo, porém nos mostrando pela primeira vez o grande Jedi que é Yoda.

E aí veio o terceiro. "A Vingança dos Sith". E ái que minha paixão pelos 6 filmes estava completa. Que espetáculo visual! Ainda sabendo que o grande triunfo final seria do lado negro da Força e veríamos ali o surgimento do maior vilão do cinema. Assisti a esse numa sala ali no Kinoplex, numa pré-estréia fechada da Fox, onde a distribuidora abriu todas as salas para seus convidados passando o filme, alguns dias antes da estréia oficial. Um túnel negro levava até a entrada e se ouvia a respiração do pai de Luke e Leia. Muita gente fantasiada. Direção de arte impecável. Sir Ian McDiarmid retornando ao papel maravilhosamente bem do Imperador. A grande luta entre o mestre e o aprendiz. Estrela da Morte... ah! E a grande cena de arrepiar surpreendentemente bem dirigida por George Lucas: a aniquilação de todos os Jedis.

No meu computador, tenho a trilha sonora de todos eles, e me sinto tão bem ouvindo essas músicas, me remetem a um sonho de ir para outro lugar e me trazem a nostalgia daquele tempo que eu podia ver pela primeira vez um filme com a marca "Guerra nas Estrelas". John Williams é foda, com apenas umas notas, ele me consegue levar para outra galáxia.

Eu muito tenho a falar sobre essa franquia. Demasiadas vezes discuti com amigos muitos detalhes, como por exemplo, a ordem de preferência dos 6 filmes (a minha é: "O Império Contra-Ataca", "Uma Nova Esperança", "A Vingança dos Sith", "O Retorno de Jedi", "Ataque dos Clones" e "A Ameaça Fantasma"). Ou então, o fatos dos nomes seguirem um padrão que talvez seja só uma coincidência, entre o primeiro, segundo e terceiro de cada trilogia.

Agora, eu quero ir a um concerto que aqui vai se realizar dedicado à toda a saga, tocando suas músicas compostas pelo já citado John Williams, com imagens no telão e narração de Anthony Daniels (o C-3PO). Na exposição com objetos originais, maquetes e figurinos, eu já fui. E estou, então, procurando companhia para o espetáculo musical. Vamos ver se encontra alguém mais nerd/geek que eu.

Aqui vos deixo com uma das músicas do terceiro episódio que mais me traz recordações boas: