quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

mau.

Eu falei que aprendi a respeitar melhor as outras pessoas. Mas parece que meu mau humor nao. Quando estou nesse estado, é como se fosse esquizofrenia: nada de bancar o bonzinho.

Pedi dez tiquetes de metrô na bilheteria, cada um custa 1,60, os dez juntos têm desconto, fica 11,40. Dei duas notas de 10 e a mulher me deu um troco de 9,10. Faça as contas… quem falou que eu devolvi? Se fosse outro dia, nem ia me aproveitar.

Ontem, cozinhei um macarrao pra trazer pro trabalho, coloquei num tupperware e trouxe. Nao tem microondas aqui, entao, comi frio mesmo. Estava asqueroso e vomitante. Joguei metade fora, sem pensar nas crianças famintas morrendo.

Terminei meus trabalhos aqui, ninguem me passou mais. Eu nao vou sair perguntando se alguem précisa de algo. Eles que venham me pedir. Quanto menos coisas para fazer melhor e nao estou afim hoje de ser o funcionario interessado e prestativo.

So espero que todo mundo tenha aprendido com minha declaraçao sobre o respeito e me respeite quando minha outra faceta se apoderou de mim.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

escritorio.

Estou trabalhando numa agência de comunicaçao de esportes équestres, em Paris. Apesar de ser uma carga horaria fora da lei (ja que a legislaçao francesa diz que todo trabalho tem que ter 35 horas semanais), trabalhando das 9 as 19 (nove horas por dia), é um ambiente légal. Pelo menos tentam me ensinar essa lingua dificil, posso ficar no GTalk e MSN e claro, escrever no blog.

Aqui temos um cara que acabou de sair da adolescencia, deve ter seus 20 anos e se acha meio engraçado e responsavel, coisa que nem é. Na real, é meio chato.

Ha um cara que me lembra o Jean-Pierre Léaud, ator fetiche do diretor François Truffaut, com uns 30 anos.

Tem uma francesinha do interior, toda caretinha, de cabelos longos e loiros. E do lado dela senta a diretora de redaçao que é toda meio moderninha. Contraste.

O chefe fica num mesanino, e isso deve fazer ele se sentir melhor que os outros, so porque ele tem uma empresa tendo a mesma idade que seus funcionarios. Ele é meio prepotente, mas pelo menos fala ingles e espanhol.

Entre outros, eu fico aqui, ouvindo frances todos os dias ao meu redor, esperando que a policia invada dizendo : « Vamo parando com essa putaria… cês nao estao no Brasil… trabalho aqui so 7 horas por dia ! »

domingo, 8 de fevereiro de 2009

respeito.

Uma vez, eu escrevi um texto dizendo que eu, como ser humano, mudei depois de morar na Europa. Não digo para bem ou para o mal, ou com um ar de prepotência, mas meu respeito pelo outro se modificou.

O filme "A Troca" ("Changeling", no original) não fala só sobre a luta de uma mãe, interpretada corretamente por Angelina Jolie, em encontrar seu filho. Ele mostra o quanto o homem pode ser falho, pode ser intolerante, pode não respeitar o próximo à favor de seus benefícios.

E o fato de eu ter me transformado, no que considero ser um jovem mais consciente do "cada um no seu cada um" (como minha mãe sempre diz), me fez sentir nojo nos personagens retratados no filme de Clint Eastwood. Diretor que me supreende, já que sempre o julguei conservador, fazendo películas não só sobre patriotismo ou "american way of life" ou westerns, quando se mostra sensível ao guiar suas musas e compor uma trilha sonora que sussurra aos seus protagonistas a tristeza e, ao mesmo tempo, esperança.

Eu tenho esperança. Espero que um dia todos aqueles meninos que me chamavam de "viado" no colégio percebam um grande trauma que eles me provocaram, e transmitem a seus filhos uma educação diferente. Espero que todas aquelas pessoas que sujavam as ruas com os flyers que eu lhes dava em Madri, notem, em uma próxima vez, a lixeira que fica dois passos à frente. Espero que eu possa voltar pro Brasil e seja um pouquinho melhor de quando eu o deixei.

Se um dia eu tiver um filho, algo que está nos meus planos futuros, a única coisa que eu vou ensinar, decida ele ser jogador de futebol, físico ou artista plástico, é ter respeito.

Respeito.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

histórias.

Tô com uma mania nova: sempre que eu vou ali fora, na porta do prédio onde fica a revista que eu estou trabalhando, na Avenue Gambetta, tomar um ar, eu fico vendo esses parisinos caminhando pela rua e imaginando o que cada um está indo fazer e/ou pensando... e é divertido.

Se passa um velhinho caminhando devagar, com uma sacolinha na m
ão e a cabeça baixa, me vem à mente ele indo comprar laranjas no mercado que fica ali em cima, triste porque teve que sair de casa e comprar a fruta para ter Vitamina C no seu corpinho falho evitando uma gripe nesse frio. Será que foi isso mesmo?

Uma mulher com suas rugas passou por mim, com roupas um pouco hippies, mas ajustadas para o urbano, usava um
óculos vermelho e imaginei ela indo para casa, a sala cheia de plantas, sentada na cadeira diante de uma mesa, escrevendo em um caderno e de repente, seu gato Pierre pula em seu colo e pede carinho, ela se inspira com o gesto do animal e continua a se expressar no papel...

Ou um senhor de uns 45-50 anos, que passou na outra calçada, todo empertigado, com ar triufante e bem vestido, seu grande casaco, caminhando com ar sério, mas escondendo por tr
ás do olhar uma felicidade de ter acabado de transar com sua amante durante seu horário de trabalho e indo buscar seus pertences no escritório, para logo ter um jantar convencional e silencioso com sua esposa em algum restaurante qualquer. Ficarei com essa dúvida.

A única coisa que me irrita é não saber como as hist
órias terminam. Mas tudo bem, o que interessa mesmo é exercitar a imaginação.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

de novo.

Para a felicidade geral da população mundial de fãs e, ainda mais, da conta bancária da véia, está confirmado: Madonna volta para a segunda parte da turnê Sticky And Sweet. Passará por cidades da Europa, tais como Paris e Madrid e segue para Ásia e Oceania. Não, o Brasil não estará de novo no roteiro da loira (e também, tá todo mundo saturado dela no território tupiniquim).

Madonna já entrou pro Guinness Book como a cantora que mais lucrou com uma série de shows e agora, pelo visto, quer mudar isso e ser a pessoa que mais ganhou dinheiro com uma turnê.

Seja na capital francesa ou na capital espanhola, eu estarei lá (de novo), na frentonna, para sentir o cuspe enquanto ela desafina em "Heartbeat" (se é que ela vai cantar essa, já que rola um boato de que não será tão focado no último disco "Hard Candy", coisa que me alegra um montão).

Vem, Madonna, give it 2 me! Yeah!

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

dois mil e doze.

Há muito tempo, o Fantástico, sim, aquele programa da Rede Globo, mostrou uma matéria sobre um tal aí que dizia ter decodificado a Bíblia, encontrando previsões de todas as coisas que já aconteceram e as que vão acontecer, como a Terceira Guerra Mundial e, claro, o Fim do Mundo. Com meus, sei lá, 14 anos, não consegui dormir essa noite.

Eu tenho mó medão de que tudo isso acabe. E aí vem essas histórias maias aí, mais profecias de Nostradamus, os segredos de Fátima e o escambau, e me deixam com mais pavor. Me disseram que haverão uns escolhidos, pessoas que não morrerão e que sobreviverão à grande tragédia, mas eu acho que isso é só balela para aqueles que tiverem mais sorte e estiverem no lugar certo na hora certa. Então, me conta aí que é que vai acontecer (cometa, tsunami, ets...), pra eu estar protegido, faz favor.

Enfim, 2012 está aí (como mostra o trailer abaixo e um post que eu já escrevi aqui) e, certeza que, antes de eu morrer, vou conhecer a Ásia e a Oceania. Beijo, tchau!



Ah, eu adoro filmes-catástrofe!

querida.

Faz alguns dias que eu tenho uma dor de garganta e ela não passa. Talvez, seja o frio que chegou abrupto a Madri, ou então, o cigarro de enrolar que ficou forte demais, ou o fato de eu ter perdido meus dois cachecóis em Paris e ter desascostumado a andar na rua sem enrolar nada no pescoço.

Hoje, antes de deitar, eu fiz um chá, para esquentar a garganta e esperar que quando eu acorde, minha dor tenha passado. Peguei uma panelinha vermelha que tem aqui em casa, bonitinha e calejada, em que nela só cabe a dose de um copo, coloquei água para esquentar e fiquei ali, aguardando.

Enquanto eu colocava o saquinho de camomila e um pouco do mel, que cristalizou dentro do pote, na caneca, percebi que a pequena panela estava tremendo. Pela física o fenômeno seria explicado pela ebulicão da substância, mas para mim, naquele momento, era como se a panelinha queria mostrar que nervosa, ansiosa, cheia de dúvidas e literalmente, a ponto de explodir. Foi então que, com um instinto amigável, coloquei a mão no cabo de plástico e com esta, a abracei e fiz carinho. Quando soltei, a panelinha estava quietinha, calminha e feliz, com seu conteúdo fervendo e pronto para ser despejado no outro recipiente.

Bebi o chá, me aconcheguei na cama, coloquei o computador na barriga e escrevi essa histórinha, esperando que, depois de dormir, quando estiver sonhando, alguém faça um cafuné na minha cabeça pra me afastar desses nervos, essas ânsias, essas dúvidas e essa iminente explosão.